Voluntários unem forças em busca de preservação ambiental em Divinópolis

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Divinópolis, engenheiros, sem fronteiras, sustentabilidade (Foto: ESF/Divulgação)

Há um ano estudantes universitários participam de um projeto de sustentabilidade, que tem revolucionado a forma de percepção e cuidados com o meio ambiente em Divinópolis. O “Comunidade Sustentável” faz parte da Organização Não Governamental (ONG) Engenheiros Sem Fronteiras (ESF) que hoje conta com 70 voluntários no município.

Entre as iniciativas, os integrantes adotaram a comunidade rural de Branquinhos que fica a cerca de dez quilômetros da cidade. Desde o início deste ano eles desenvolvem ações como captação de água de chuva, recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP), sistema de esgotamento sanitário, abastecimento e agro ecologia.

O grupo começou em Divinópolis com dez integrantes apenas. Isso porque o professor e hoje coordenador do projeto Hebert Gontijo, teve ideia de implantar o projeto na cidade depois de participar como aluno do núcleo da Universidade Federal de Lavras, onde ação ocorre desde 2013.

Hebert conta que a ONG Engenheiros sem Fronteiras surgiu por volta de 1980 na França e se disseminou por países como Espanha, Itália, Canadá e Reino Unido, até a década de 90. Desde então o movimento cresceu e atingiu diversos países , inclusive o Brasil na década de 2000. A organização visa conscientizar a nova geração de engenheiros a ser mais atuante nas causas sociais e ambientais que hoje atingem o cenário mundial.

“Quando falamos de engenheiros sem fronteiras não estamos dizendo que quem participa são apenas os alunos das engenharias. É um projeto que envolve outros cursos, certamente. Engenheiros é uma analogia à construção que então um caráter sem fronteiras. Todos os projetos ligados o ESF envolvem uma campanha ambiental muito forte. É urgente termos ações de preservação ambiental”, destacou.

Voluntario 2Membros do grupo na comunidade de Banquinhos (Foto: ESF/Divulgação)

O estudante de Engenharia Civil com ênfase em meio ambiente, da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Gregory Costa, faz parte do projeto desde abril deste ano. Ele conta que foi convidado pelo coordenador, que na ocasião era professor dele.

“Desde do início do ano eu tinha interesse em participar de um projeto de pesquisa e extensão ligado ao meio ambiente. O que mais me chamou atenção foi que o projeto além de estar ligado à sustentabilidade ainda ajuda pessoas de comunidades carentes. Então eu posso usar tudo o que sei em prol dessas pessoas e isso me satisfaz muito como pessoa e como profissional. “

Atualmente com 70 pessoas, a expectativa de todo grupo é chegar em 2016 com 120 voluntários. “Precisamos unir o máximo de pessoas possível. Se não tomarmos nenhuma iniciativa de preservação ambiental, os recursos naturais principalmente a água e o solo, que são finitos poderão se tornar um grande problema social e econômico para a humanidade”, destacou Gregory.

Ação Voluntária
Todas as ações são promovidas de forma voluntária e aplicadas gradativamente nas comunidades. O grupo já instalou, por exemplo, aquecedor solar em uma casa da comunidade de Baranquinhos. A ferramenta que visa economia de energia foi fabricada e instalada pelos próprios alunos. “Nossa intenção certamente é avançar ainda mais e por isso, a expectativa é que ano que vem outra comunidade seja adotada”, disse o coordenador.

Voluntario 3Aquecedor solar foi instalado no início de novembro na comunidade (Foto:ESF/Divulgação)
Hebert ainda enfatiza que cada engenheiro sem fronteira tem um projeto diferente. ” O Comunidade Sustentável adota e leva para essas comunidades carentes vários outros sub projetos, que são efetivamente aplicados como os próprios aquecedores solares. Escolhemos as comunidades porque percebi que há dificuldade de implantação de políticas de sustentabilidade nessas áreas. Achamos que a zona rural merecia mais atenção, mais infraestrutura, obras e serviços”, disse.
Ele conta ainda que o projeto foi bem aceito pelos alunos e pela própria comunidade. Se tratando de um projeto voluntário, os membros não medem esforços para concretizarem as ações. Quando precisam deslocar, eles mesmos dividem a gasolina e utilizam o carro de um dos integrantes. Os aquecedores solares também são produzidos e instalados por eles. As mudas são doações. A vontade de fazer algo pelo meio ambiente supera qualquer obstáculo, como afirma Tobias Lopes, membro do ESF há mais de um ano.

“Viabilizamos projetos que não degradam o meio ambiente como a garrafa pet e caixa de leite usadas na construção dos aquecedores, na plantação das mudas fazemos o preparo do solo, controle de pragas, metodologicamente plantamos as mudas que crescem mais rápido, e depois as que demoram um pouco mais. O adubo também é pensado a partir do reaproveitamento da própria agua da torneira com sabão, que é tratada com humos de minhoca e vira um fertilizante, que chamamos de água cinza. Tudo é pensado de forma que beneficie comunidade e meio ambiente”, contou.

No próximo sábado (21) haverá plantio de mudas de árvores em massa na comunidade. Mais de duas mil árvores devem ser plantadas em uma APP da comunidade. “Essas mudas serão doadas pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e plantadas em uma área de um produtor. Certamente serão árvores típicas da região e queremos que sejam frutíferas, o que irá beneficiar também os moradores e a própria fauna que será atraída por essas frutas”, disse Tobias.

A consistência a aplicabilidade do projeto rendeu ao grupo um prêmio de projeto destaque em sustentabilidade em um congresso nacional no Rio Grande do Sul. Interessados em participar do grupo podem acessar o site.

Anna Lúcia Slva 

Do G1 Centro-Oeste de Minas

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